:: a concha em seu ouvido trazendo o barulho do mar ::

Este espaço foi criado com o intuito de mostrar tudo aquilo que se passa na cabeça de um surfista. Desde pensamentos, frases, sentimentos e tudo aquilo que tá presente na vida de cada um de nós. A busca incessante do equilíbrio.
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:: Sábado, Novembro 13, 2004 ::

Amigos, amores, inquietação e harmonia


... deixar o sorriso bobo aparecer e rir no meio da tarde...


É como se tudo combinasse a partir do momento em que decidiram ser felizes. Experimentar situações, cheiros, romances, gostos e sensações. A experiência de estar feliz como há tempos deixara para trás a experiência de voltar a brilhar. Sentir o brilho. Esse é o ponto. "Sentir brilhar, sentir que tá brilhando." Ele vem em forma de sorrisos, de repente naquela esquina que tu passou despercebido sem notar quem passava. Deixando o olhar pra trás na vastidão da multidão, perdido entre tantos. É quando se perde a fé, quando se acha que nada mais vale a pena. Por descrédito, falta de esperança, receio ou até mesmo desiluções. Mais até, falta de alguém especial. Ainda mais nos dias de hoje, onde homens e mulheres estão aí, vivendo, sem pudor. Difícil acreditar, difícil confiar em quem um dia tá contigo e no outro tá com outro. Exagero? Não, as coisas mudaram. Ingenuidade? Talvez, por pensar diferente. Pensamento esse que gera julgamentos precipitados e equivocados.

Mas amigos e amores estão logo ali. Um dia eles se cruzam e têm sua época. Volta e meia acabam voltando e o importante é deixar sentir quando se encontra. Talvez já se conhecessem em determinada época. Mesmo longe um dia já se encontraram. Basta acreditar. Ou não. Deixar o sorriso bobo aparecer e começar a rir no meio da tarde. Na volta pra casa. Sentado no banco do ônibus perto da janela ou ouvindo a velha música dentro do carro no meio do trânsito barulhento e lembrar de uma frase, de um sorriso, de um olhar...

É como pensar e sorrir. Sorrir com os olhos. Deixar medos e preocupações pra trás. Não ter medo de se sentir sozinho. Como querer que as coisas continuem simples. É como se estar o dia inteiro na praia, como perder o sono, ou ganhá-lo. Apenas perceber que o pensar faz bem. Que o estar junto é bom. E que, um sorriso idiota na cara, nos leva ao mais alto...

:: 2:17 AM ::

escreve algumas linhas aê: _____________________________________________________________________________________
:: Quarta-feira, Novembro 10, 2004 ::

Segredos do Mar

Quando chega o verão, as pessoas se sentem atraídas pelo mar. As multidões se dirigem as praias em busca de um contato com as orlas marinhas que nos produzem prazer e descanso. Porém o passo humano deixa sua marca fatal nas praias de areia. Milhões de sacolas de nylon e plásticos de todo o tipo são abandonadas nas costas e o vento ou as marés se encarregam de arrastar ao mar.

Uma bolsa de nylon pode navegar varias dezenas de anos sem desintegra-se. As tartarugas marinhas as confundem com medusas e as comem, pensando que é alimento e acabam afogando-se quando as engolem.

Milhares de golfinhos caem também na confusão e morrem afogados. Eles não podem reconhecer os desperdícios humanos, simplesmente se confundem, depois de tudo, "o que flutua no mar se come". A tampa plástica de uma garrafa, mais dura que uma sacola, pode permanecer inalterada navegando pelos mares por mais de um século. O Dr. James Ludwing que se encontrava estudando o albatroz na ilha de Midway, no Pacífico, muito longe dos centros povoados, fez uma importante descoberta. Quando começou a examinar o conteúdo do bucho de oito filhotes de albatroz mortos, encontrou: 42 tampas plásticas de garrafas, 18 isqueiros, restos flutuantes que em sua maioria eram pequenos pedacinhos de plásticos. Estes filhotes foram alimentados por seus pais que não puderam reconhecer os desperdícios do momentos e escolher seu alimento.

No próximo verão, quando visitares tua praia preferida, talvez encontres na areia sujeira que outra pessoa jogou. Não é tua sujeira, mas é TUA PRAIA, é TEU MAR, é TEU MUNDO e deves fazer algo por ele. Muitos pais jogam com seus filhos o jogo do "... vamos ver quem consegue juntar a maior quantidade de plásticos?" no mínimo uma inesquecível lição de ecologia.

Outros em silêncio, recolhem um plástico abandonado e levam para suas casas longe do mar. Os verás passar sorrindo, sabendo que estão salvando um golfinho. "Não se pode defender o que não se ama e não se pode amar o que não se conhece."

Ajude na luta.

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Chile... Tierra de Océano

" Chile es una Tierra de Océano. O sea, un país que por su estructura y posición geográfica no tiene mejor objetivo, ni mejor riqueza, ni mejor destino - más aún- ni otra salvación que el mar.

Para el mar nació, del mar se alimentaron sus aborígenes, por el mar se consolidó su conquista, en el mar se afianzó su independencia, del mar deberá extraer su sustento, sin el mar no tiene sentido su comercio".

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O texto é de uma organização marítima do Chile. Mas não é preciso ir muito longe pra perceber que isso acontece em tudo que é lugar, ainda mais se falando de Brasil.

Bota o dedo na ferida e vê se tu tá fazendo alguma coisa!!!


:: 7:20 PM ::

escreve algumas linhas aê: _____________________________________________________________________________________
"O fascínio do conhecido é quase invencível. Conduzir a percepção na direção do desconhecido significa afastar-se da corrente principal das preocupações humanas. Significa desidentificar-se dos pensamentos e sentimentos que fazem de nós homens comuns, na tentavita de retornar ao conhecimento que brota do silêncio."

:: 3:15 PM ::

escreve algumas linhas aê: _____________________________________________________________________________________
:: Segunda-feira, Novembro 08, 2004 ::

Recordações

Sentimentos frágeis, delicados como uma sombra, espalham-se pela nossa vida afora. No tesouro de nossas lembranças, garimpamos em busca das melhores vivências. E essas lembranças estão sempre relacionadas com as pessoas, já que são elas o meio único que temos de nos aproximarmos do ser único que somos. Pelas recordações, tomamos os acontecimentos de surpresa, sempre repensando-os e aprendendo com eles.

Tudo que outrora tivera um significado, posteriormente, trazido à tona novamente, modifica-se. Nada será como fora. Tudo são vivências que se acumulam, dia após dia, produzindo sempre o novo, o diverso. Tudo o que se pensa, acrescenta e modifica, sempre.

Nossa vida é constituída de esforços. Somos e nos tornamos aquilo pelo que lutamos. Somos gotas de suor ao sol ardente, sobre pele curtida. A somatória de todos nossos erros e fracassos. Acertos e vitórias não duram, estão sempre no passado do instante seguinte. Transformam-se em recordações. Esse caldo existencial sobre o qual nos afogamos em nostalgia, sem pensar na sua importância fundamental.

A memória é a mais valiosa ferramenta que possuímos. Lembrar, selecionar lembranças ou trabalhar com elas por associação é o mais importante recurso que possuímos para lidar com o presente. Viver o melhor presente possível vai nos trazer as melhores recordações possíveis para o futuro. Existir bem é nos preservar para um bom futuro. Ter tudo o mais claro possível à mente é construir as lembranças mais resolvidas para o futuro.

Futuro não é outro mundo. É amanhã, o instante seguinte. Dessa linha para trás, já é passado. Dessa primeira letra para a frente, já é futuro. Presente é fluir no intemporal. É onde o que passou ainda não se transformou em passado e o futuro não se consumou. E esse é o nosso tempo verdadeiro. Tempo de estar sendo, em funcionamento. Somos movimento contínuo, energia a fluir. O passado está parado na memória; o futuro, na imaginação.

Vivemos com as mãos lambuzadas de passado, o passo apressado em busca de futuro, o coração pequeno e a cara suja de presente. Estamos sempre prontos a manter o conquistado, mesmo que a ferro e fogo. Mas, insaciáveis e insatisfeitos, vivemos a maior das contradições. Voltados para o futuro, ancorados no passado, e tendo o presente como única realidade palpável e intransferível, somos caos. Tem dia que a noite é assim mesmo e então vivemos manhãs de noites maldormidas, com os olhos em fogo. A vida parece oca, afogada em silêncios de mistérios insondáveis.

Então a solução, me parece, é recordar, organizar e planejar. Recordar que vivemos infindáveis momentos assim parecidos ou mesmo inteiramente diferentes. Como aqueles passaram, esses também passarão, porque, na verdade, já passaram. Pensa-los é carregar nosso disco, que não é rígido, diga-se de passagem, com lembranças. E, a partir dos dados obtidos e depois selecionados, efetuar análises, associações para a conclusão do que objetivamos.

Enfim, nossas recordações são os tesouros incalculáveis com que o tempo nos enriqueceu. Todo valor amoedado do mundo não vale e não é capaz de comprar um segundo de nossas lembranças. Tudo o que lembramos é matéria livre de sonhos. Jamais poderia, nem pelas imaginações mais versáteis do mundo, se pensar em comparar com memórias eletrônicas, ou ultra-eletrônicas. Em nós memória é verdade, limite em que a vida manifesta-se através da energia.

Recordar é mergulhar em vácuo, onde a matéria dos sonhos vence a luz e torna-se pensamento. Planar ao sol e construir o que ainda não é, encadeando-se ao delírio claro que se extrai da vida, numa curva plena de emoção.


Por Luiz Mendes - Revista Trip

:: 1:30 AM ::

escreve algumas linhas aê: _____________________________________________________________________________________

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